"SERTÂNIA"

SERTÂNIA
Lembrançando na solidão do meu estar sozinho, é que eu arranquei do meu juízo estonteado a lembrança remoendo um saudosismo dos olhos acastanhados da minha bem querença chamada Zefinha; Eh saudade...
Debrucei no meu pensar o seu rostinho abronzeado pelo sol escaldante do meu escaldado sertão.
Bebi gotas lamentosas de saudade solitária, remoendo no pensamento, cada pedaço de minuto que com ela compartilhei os idos anos acompanhados de alegrias em tê-la bem juntinho de mim. Eh saudade...
Ser sertanejo, é coisa de pele que se confunde com a aridez deste torrão avermelhado de fim de tarde, onde o sol beija o seio da mãe terra buscando repouso.
È o cunversê bem amatutado de cumpadi Rubião dibuiando as leotrías nas oiças dos escutantes, vividas pelos seus irmãos de lida e sina.
È o chêro do cuscuz de Sinhá Morena, regado ao café socado no pilão com o açúcar acanadado dos canaviás de seu Terto de Beltrão, Homi, mais rude e seco igual terras dos anos 15 ou 32.
Pra completar a prosa, os bolodórios, zuniam no vento frio aquecido pela fogueira que torrava em brasas o ajuntamento de palavras de quem ali se arreunia, prestando atenção nos dizeres.
Era um despejo de prosa boa, regado ao café bem fervido na queimança afogueirada que estalava num cripitar sonoro, caatingueiro. Eh saudade...
Lembrei-me do poeta Nininho de Uauá, ah se este cabra estivesse aqui e ponteasse seu melodioso violão as coisas que ainda conservamos do lado de cá.
Eu também venho de longe, de onde o sentimento amor, ainda prevalece nas palavras ditas por quem ama, e sinto o cheiro da perfumagem afulorada na caatinga, a turva noite em causos de malassombros, o piado como se agoradouro da coruja, arrepiando inté as almas dos viventes assustados.
Mas isso eram historias antigas, gostosas de ouvir. A juízo estonteado, ainda sinto o perfume destas noites sertanejas, mas só não sinto mais é a perfumança de Zefinha. Pois ela, “Igual ao seu cheiro” evaporou da minha vida até pros dias de nunca mais... nunca mais.
Sei falar palavras bonitas não moço, mas falo de amor pelo sentir do meu coração latejando de felicidades, ao lembrar-me de Zefinha, e pra isso não precisa letramento delicado não Sinhô.
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