LITERATURA DE CORDEL, POETA CARLOS SILVA
“QUANDO A GAVETA NÃO ABRIU”
Eita pedaço de chão
Cheio de brasilidade
Onde nossa vida busca
Conquista e felicidade
Mas as vezes tudo muda
Essa é a realidade
Quem dera nós pudéssemos
Transformar a nossa lida
E fazer desses caminhos
Por essa terra querida
O mais sublime viver
Dessa nossa vasta vida
Digo isso pois me lembro
De tudo que me aconteceu
Das coisas que eu já tive
E que o destino me deu
Em algumas me negou
E esse peito aqui sofreu
Mas tudo na vida se vai
E não podemos reclamar
O que passou já passou
E nem mesmo é bom lembrar
Para que não fique magoas
Plantadas pra reclamar
Mas preste atenção nessa história
Que vou lhes contar de repente
Pois ela pode até de ter feito
Parte da vida de muita gente
Então ouça o meu traçado
Que em verso faço brevemente
Um dia me disseram assim
Nós todos vamos tirar
O Brasil da gaveta
E eu fui acreditar
Procurei uma duas três
Nem quiseram me escutar
Ou a gaveta tava travada
Ou só peixes ali abria
Confesso não entendi
Essa tal filosofia
A gaveta que eu tentei
Para mim não se abria
Insisti tentei de novo
Fui tentando descobrir
Por que a gaveta abre
E eu não consigo abrir
Resolvi deixar de lado
Quebrei a chave e partir
Tirar o Brasil da Gaveta
Sem chances para mostra-lo?
É preferível, confesso
Num cantinho reserva-lo
Pois ao descer a ladeira
Os sonhos pegam o embalo
Escreva pinte componha
E corra pro mei da feira
É lá que está quem te ouve
Com toda atenção verdadeira
A gaveta? Deixe pro lado
Não se iluda com besteira
A gaveta estando aberta
Engole qualquer cidadão
Não adianta reclamar
Ou implorar e pedir perdão
Pois a palavra não mais ecoa
Nem dentro ou fora do caixão
Que os versos amontoados
Que na gaveta guardei
Se dependesse de alguns
Que com as verdades deparei
Por estes tenho certeza
Esta eu nunca abrirei
Avoa ave cantante
Me espere nalgum lugar
Quem sabe um dia possamos
Um dedo de prosa trocar
Esqueçamos a gaveta
Deixemo-la em seu lugar
Confesso não vou chorar
Nem tão pouco mal dizer
Podia ser diferente
Bastava você querer
Voce não quis e foi-se embora
Mas eu jamais vou te esquecer
Quebrei a tranca e joguei
A chave longe de mim
Se a gaveta não se abriu
Veja que não foi ruim
Eu continuo cantando
E cantarei até o FIM
Carlos Silva
Alunos do Colegio Getulio Vargas em Caldas de Cipó, declamam cordel do p...
Quando a tez do cabelo embranqueceu
E seus fios mudaram toda cor
Quando os passos mais lentos se tornaram
Quando o rosto murchou feito uma flor
Quando a voz tremulando não saia
Quando o vigor do meu corpo já partia
Até a alma nesse instante sentiu dor.
Quando por mim uma criança ali brincava
Correndo solta desafiando o vento
Foi impossível segurar a emoção
E voou longe o já cansado pensamento
Então me vi ao seu lado eu correndo
Voamos juntos com a brisa nos tangendo
E chorei só com o meu saudoso lamento
Então eu vi que meu passado tá presente
E como um filme eu revi minha história
Vi o cansaço interrompendo os meus passos
Reinventando o prosseguir da trajetória
Compreendi hoje que a velocidade
Ultrapassando os dias da minha idade
Corre somente no vagar desta memória.
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Carlos Silva
*Prevenir pra não perder*
O espelho da vida
Reflete a imagem externa.
O espelho da alma
Retrata o íntimo sentir que só quem está dentro sente.
Não deixar para amanhã o que se pode conversar HOJE, poderá salvar uma vida angustiada, onde nenhum espelho reflete o sofrer causado por uma angustia sentida.
Por fora, o espelho revela o riso enquanto que por dentro, ele está aos cacos e nenhuma imagem de riso, de alegria ou de felicidade pode ser vista.
Não é a cor em determinado mês que previne um laço da partida, mas ela alerta para que acompanhemos mais de perto, quem mesmo estando perto, por tantas vezes torna-se imensamente distante de nós.
"O silêncio age sorrateiro emudecendo precocemente tantos solitários gritos abafados".
Prevenir pra não perder, é se importar pra não chorar.
"Estender o olhar, é ter a oportunidade de enxergar quem anda por escuros caminhos tentando achar uma luz" .
Sejamos a luz, para o bom prosseguir de cada um de nós.
Carlos Silva
*ESPERANÇA E LIBERDADE*
Eita amigo, lembra quando tu ias na minha casa e eu ia na tua?
A gente falava de cangaço, das obras de Vitalino, do canto de Gonzagao, das pernas da Brigith Bardot, dos filmes ROLIUDIANO, das presepadas de Mazzaroppi, dos trapalhões e de Chico City com todos aqueles personagens que faziam com que a vida fosse mais riso.
Entre Beatles e o Rei Roberto, de tudo nós ouvíamos pois nos identificavamos como seres livres, pensantes e que via amor em tudo ao nosso redor.
Ate disputamos o amor da mesma garota e para resolver essa questão, nós a deixamos seguir seu rumo pois a nossa amizade era maior e significava muito mais para nós.
Até no torcer pro time do coração, tinhamos a mesma simpatia.
Nossas mães diziam orgulhosas: Esses meninos são mais unidos que muitos irmãos.
Eramos assim, visto por todos com esse olhar e por isso ganhavamos respeito e confiança de todos, e, principalmente de nós mesmos.
Eramos tão unidos que um sentia a necessidade do outro e nos ajudavamos pois eramos de fato irmãos unidos por um amor indescritivel e invejado por muitas familias que queriam que seus filhos se dessem bem entre seus irmãos. Eramos o espelho de uma verdadeira e indissolúvel amizade.
Um dia, tu fostes morar noutra cidade, estudara e tivera uma excelente formação.
Eu, por aqui fiquei me formei em pedagogia, e casei. Sabe com quem? Com aquela mesma garota que um dia a permitimos viver seu caminho (rsssss) como a vida é engracada ne?
Soube que você estava na cidade e eu me organizava para uma passeata junto a alguns membros do partido pois estavamos em campanha eleitoral.
Ao me ver, você veio ao meu encontro e ao notar que eu vestia uma camiseta com palavras de ordem progressistas, você torceu a cara e eu vi que o seu semblante mudou (pois eu te conhecia muito bem).
Vc ja foi dizendo QUE PALHACADA É ESSA?
Você ainda defende esse partido, vai votar nesse idiota, nesse canalha, corrupto ladrão do povo?
Vi a transfiguração no teu rosto, tentei argumentar, mas você estava irredutível e irreconhecível. Não... você nao era mais o cara que pichavamos muros e faziamos o povo ter consciência de escolhas que achavamos as mais acertadas para nossa cidade pro nosso estado e pro nosso pais.
Me insultou na presença de todos, humilhou-me com palavras horríveis chamou-me de alienado, burro, ignorante, despolitizado.
Vi uma fúria estampada no teu rosto, um brilho de ódio no olhar.
Tu eras agora um Doutor, (teu meio social era outro, Teus amigos eram outros e a tua vida era outra).
Nao houve um abraço de despedida como antes, nao houve o riso e só as minhas lágrimas prantearam meu rosto a ponto de dizer: "PREFERIA
MORRER NESSE MOMENTO DO QUE PERDER A MAIOR AMIZADE QUE TIVE EM MINHA VIDA"
Nunca em nada divergiamos, mas apartir daquele momento (não por mim) tornavamos os maiores inimigos que aquela cidade tivera um dia o privilegio de elogiar e que um dia tanto nos viu sorrir) hoje me viu chorar de incontida tristeza.
Voltei pra casa, a cidade toda ja comentava o ocorrido lamentando tal situação.
Fiquei sabendo que voce voltou pro seu mundo. E eu continuo aqui no mesmo lugar tentando dar ao povo O que Eles nunca tiveram: ESPERANÇA E LIBERDADE.
Mas sem aceitar que por uma ideologia politica, ou por uma escolha, pudesse ver uma amizade se acabar de forma tão triste.
Eu ainda penso em ti amigo, mas só daqueles momentos que as cores de um partido nao dividiam nossas alegrias.
Carlos Silva
BLACK FUMO NO INOCENTE
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Carlos Silva
O povo é enganado
A todo instante e toda hora
Não toma jeito nem se apruma
E só se lasca sem demora
Depois reza e pede ajuda
Pra qualquer santo implora
Inventaram algumas palavras
Para o povo enganar
Fake News e Black Friday
Forçam o povo a pensar
Uma promove mentiras
A outra força o povo comprar
La vai um magote de otário
Pras lojas de liquidação
Comprar com cheque pre datado
No boleto e no cartão
Estouram todo limite
A vista e a prestação
O brasileiro é um míssel
Ingenuo teleguiado
Em tudo que lhes prometem
Acreditam um bocado
La se vai o rebanho inteiro
Pro matadouro ferrado
Essa tal de BLACK FRIDAY
É grandiosa tapeação
Quem foi que disse que preço
Cai e se espatifa no chão?
De fato não tem juízo
Só vai somar o prejuízo
Quando estourar seu cartão
Eu vou entrar também na dança
Afinal sou um menestrel
Canto escrevo gloso e rimo
Nas letragens de um papel
E acabei de criar
O BLACK FRIDAY DO CORDEL
Compre um e leve três
O preço é fenomenal
Essa tríplice literária
Não existe preço igual
Se você levar o Kit
Só pagará “VINTE REAL”
Vou lucrar 300 por cento
Com meu jeito verdadeiro
Para tapear o povo
Que pensa que é estrangeiro
BLACK TUDO QUE É FUMO
Nas costa de um brasileiro
De Itamira, até chegar no outro lado do mundo através da poesia.
Belo pedaço de terra, que chega causa emoção, ao lembrar desse meu mundo, agarro o sol com a mão, cantando um verso novo, mostrando para o meu povo, os versos de Gonzagão.
Araripe Grandiosa, terra mãe abençoada, Januário afinando, a sanfona, na estrada, e este Gonzaga querido jamais será esquecido, pelo povo da pátria amada.
Canta canta Gonzagão, cá na terra e lá no ceu, que aqui vamos fazendo um enredo ao menestrel, falando por entre versos, mergulhando em universos, ricos em nosso cordel.
Sou Paulista de Pernambuco, baiano lá de Exú, das terras Gonzagueanas, no norte leste ou no sul, brilhando tuas cantigas, não conheço as tais fadigas, te vejo no manto azul.
100 anos passou ligeiro, mas você aqui está, nos provando a cada verso, no jeito de expressar, que a musica nordestina, corta cidade e campina, e não se deixa de cantar.
E daqui a mais cem anos, o povo ainda cantará, Assum preto e Asa branca, Acauã pra se lembrar, dessa linda trajetória, de um punhado de historia, que ainda terá pra contar.
Obrigado Velho Lua, cara redonda ao luar, o teu canto é uma estrela, difícil de se apagar, estás no norte e no leste, no coração do nordeste de um cantador a cantar.
A natureza me deu, a paz e a alegria, de misturar em meu verso, um punhado de poesia, é chama que não se apaga, hoje canto Luiz Gonzaga, pra não morrer a cantoria
Carlos Silva poetizando, as coisas da sua terra, na rima que um dia a vida, plantou em paz sem ver a guerra, assim sigo nesta lida, fraseando a minha vida, inspiração que não encerra.
O teu riso
Um carinho
Um gesto
Um sorriso
Uma brisa suave tangida
A lembrança
Hoje e aliada
De um seguir onde um dia a estrada
Desenhou nossos passos de vida
Engoli o meu choro e guardei
O teu cheiro
Bem junto de mim
Mergulhei no lembrar desse cheiro
E do riso
Tao lindo sem fim.
Cs
*A prenda dos meus Sonhos*
A moça prendada
de dotes e mimos
de riso suave
de olhos de mel,
de olhar atraente
de lábios tão quente tu és meu presente que veio do céu.
Eu a imaginar
um apertado abraço envolto nos braços de quem tanto eu quero,
a moça bonita
é assim que te vejo num vulcão de desejo
por ti tanto espero.
Se acaso o destino entender de amor
te transformo em flor e guardo só para mim,
um cheiro trazido
da tua essência serás a Hortênsia desse meu jardim.
Os prados sagrados te fizeram nascer dividindo o viver
com a paz e alegria, que assim seja sempre
E em graça e riso seja o teu Paraíso essa minha poesia.
Carlos Silva
A DANÇA DAS LETRAS
Queria eu ter ao alcance das mãos, as coisas que meu coração
almeja, queria ter a importância da construção de cada poema como se fosse eu
ali, o principal personagem e me visse caminhar pelas páginas tropeçando nas
letras que escrevo, e, como se estivesse numa fonte, poder estar bebendo cada
palavra de forma que jamais saciasse esse meu querer compulsivo de irrigar o
meu corpo de saberes tantos, que chegam lavar a alma.
Ao escrever, sinto-me um Gepetto com seu boneco falante de
nariz crescido, pois procuro dar vida a cada montagem dessas minhas escritas,
que chegam aos olhos, as mentes e aos corações das pessoas que PRA NOSSA
FELICIDADE, ainda gostam de ler, e viajam nessas imaginárias construções que
edificam o ser pensante e o faz sonhar, viver e crer no belo, no palpável e no
grandioso existir através da leitura de alguns dos meus textos.
O imortal escritor baiano João Ubaldo Ribeiro disse um
dia: "ENQUANTO HOUVER QUEM LEIA, HAVERÁ QUEM ESCREVA".
Ana Maria Machado também disse: "ENQUANTO HOUVER UM ADULTO LENDO, HAVERÁ UMA CRIANÇA A IMITA-LO".
É isso, exatamente isso que nos impulsiona escrever, contar
nossas histórias reais e fictícias tudo com o intuito maior de fazer com que o
coração se alegre e seja revestido de paz e de um sentimento mais puro que é o
amor, trazido pelo sonho dessas imaginações expostas em telas e papeis.
Benditos sejam esses escritores (FAMOSOS E ANÔNIMOS) que
expressam ao mundo a sua vivência poética, pois ajudam construir um mundo
melhor, habitável de seres mais felizes, capazes e com o mais profundo
sentimento humano, em levar amor e suavidade a vida de todos.
Nasci como sendo um ser comum, mas com inegável orgulho na vida, morrerei sendo poeta.
Carlos Silva, poeta cantador cidadão do mundo, hoje residindo em Caldas de Cipó. E para firmar o meu mais puro prazer de expressão, chego afirmar que: ENQUANTO HOUVER INSPIRAÇÃO PAPEL E GENTE, JAMAIS IREI PARAR DE ESCREVER.
Carlos Silva
01 de dezembro de 2021
*
Prevenir pra não perder*
O espelho da vida,
Reflete a imagem externa.
O espelho da alma,
Retrata o íntimo sentir que só quem está dentro sente.
Em qualquer circunstância, aprendamos que Não podemos deixar para amanhã, o que se pode conversar HOJE, poderá salvar uma vida angustiada, onde nenhum espelho reflete o sofrer causado por uma angustia sentida.
Por fora, o espelho revela o riso aparente de satisfação plena enquanto que por dentro, ele está aos cacos e nenhuma imagem de paz, de alegria ou de felicidade pode ser vista ou refletida.
Não é a cor em um determinado mês do ano que previne um laço da partida, mas ela (A cor) alerta para que acompanhemos mais de perto, quem mesmo estando perto, por tantas vezes torna-se imensamente distante de nós.
"O silêncio age sorrateiro emudecendo precocemente tantos solitários gritos abafados".
Prevenir pra não perder, é se importar pra não chorar.
"Estender o olhar, é ter a oportunidade de enxergar quem anda por escuros caminhos tentando achar uma luz" .
Sejamos a luz, para o bom prosseguir de cada um de nós.
Carlos Silva.
QUE GRITO É ESSE?
O meu grito ecoa cultura, espalha saberes num verso cantado. Tá no toré tupinambá no samba de roda quilombola de massarandapió, no canto da rezadeira, nas mãos artesãs de Mestre Vitalino, ou Nho Vicente. Tá na iguaria de Sinhá Tereza, no canto da cambinda Raquel Trindade, nas escritas sinceras de Carolina de Jesus, no rito afro de Pai Joaquim, na capoeira de Moa do Katende, nas ladeiras e nas escadarias do Bonfim, tá no prato e no trato do aberto sorriso de quem ama, respira e come cultura.Tá no sambador do reconcavo, na xilografia de Natividade, nos versos rimados de Bule bule e na chula de Sodré, no expressar de Riachao e na alvorada de Cavachao, lá da pátria dos vaga-lumes, terras do Coronel Geronimo Ribeiro.
Tá nos gracejos de Santeiro, nas malas de Jurivaldo, e no X de Maxado. Tá no dizer de Kitute e na voz de Nivaldo fazendo Cruz gritando oxe oxente.
Tá no acaraje da Dinha e nas contas coloridas da baiana. Tá mira de Lampião, tá no Cariri cangaço, e nas grotas lá de Angico, nas preces de Padim Cico, nos versos dos cordelistas, Tá no feijão de Abdala, tá no clube da Segunda onde Boquinha vendia gás, tá no drible de Sevilho e nos mais de 105 de Dona Belinha.
Tá no gingado da morena do Garcia e na rezaria de Cachoeira. Tá no olhar de Dulce zelando dos pobres, e na crença de quem tem fé, mas também tá em mim, em você e em todos nós, herdeiros do legado dos nossos ancestrais...
Dentro desse liquido (obrigatório) que estão colocando em seringas e injetando no corpo do povo, o que será que de fato tem dentro dele?
Se o vírus é mutante, como iremos elimina-lo da face da terra?
DESPEDIDA DE POETA
sobre o amor sobre a vida
Sobre a dor da saudade
Sobre a ilusão sentida
Sobre terras devolutas,
cantei sonho suor e lutas
Dessa gente tão querida
O que me falta eu cantar
Se já falei muito de amor
Das belezas das mulheres
Montanhas do sol da flor
Do orvalho e da neblina
Da pureza da menina
Dos seus sonhos e seu pudor
Falta eu falar de que
De quase tudo falei
De protesto de politica
Dos lugares onde passei
De tudo que na terra vi
Das coisas que aprendi
E do que também ensinei
Os tons no meu violão
São iguais e corriqueiros
Pois até a viola fala
Nos meus versos verdadeiros
Eu lutei tocando a vida
Enfrentando toda lida
Rimando versos certeiros
Vou aposentar a viola
Já não quero mais tocar
E os versos tantos que fiz
Não os quero musicar
Acho que aqui termina
O labor da minha sina
De um poeta popular
Agradeço ao meu Deus
Tudo que na vida eu fiz
Com humildade e respeito
Sempre fui um aprendiz
Ao meu modo acredito
Fiz o meu caminho bonito
Procurando ser feliz
Através da minha canção
Ao mundo levei alegria
Entre um verso rimado
Ou num cantar de cantoria
O que fiz, fiz com vontade
Com amor e lealdade
Ao mundo da poesia
Me despeço com saudades
Percebi chegou a hora
Digo adeus a poesia
Nesse instante a alma chora
Mas deixo aqui registrado
Minha vida e meu legado
De tudo que fiz em outrora.

